Artigo da semana

O maior desperdício da saúde suplementar pode não estar onde todos procuram.

Uma análise de 4.800 protocolos cirúrgicos revela uma oportunidade de saving que pode transformar a rentabilidade de operadoras e hospitais.

O estudo da Evodux Intelligence identificou que o chamado saving cirúrgico estrutural pode gerar economias entre R$ 500 e R$ 3.000 por procedimento, dependendo da complexidade e da participação de OPMe no custo total.

Os dados mostram que 66% do saving vem da padronização de insumos e outros 34% da escolha estruturada dos protocolos cirúrgicos, criando uma nova forma de transformar custos invisíveis em eficiência operacional mensurável.

Os impactos vão além da teoria. Entre os casos analisados, uma operadora registrou R$ 32 milhões em saving em apenas 13 meses, enquanto um hospital conseguiu reverter uma margem negativa de -16% para +14%, acumulando R$ 12 milhões em ganhos sem alterar contratos ou reduzir qualidade assistencial.

Em um mercado que movimenta R$ 273 bilhões em despesas assistenciais e realiza mais de 3,3 milhões de cirurgias por ano, os números sugerem que a gestão baseada em protocolos precificados pode se tornar uma das principais alavancas de competitividade para operadoras e prestadores.

👉 Explore os dados, os cases reais e as projeções que revelam como o custo cirúrgico pode deixar de ser uma variável imprevisível para se tornar uma alavanca de eficiência e rentabilidade.

A semana no mercado

O maior mercado de saúde do Brasil ainda não tem regras.

A regulação de cartões de desconto em saúde reorganizará o maior programa de acesso à saúde básica do Brasil

O mercado de cartões de desconto e serviços pré-pagos em saúde reúne 60 milhões de clientes ativos, volume superior ao da saúde suplementar regulada, e opera sem qualquer obrigação de cobertura mínima, protocolo de rede ou transparência de custo por evento. A ANS abriu em 2 de junho a Chamada Pública número 4 para mapear esse mercado, com prazo até 3 de agosto de 2026, após decisão do STJ que confirmou a competência da Agência para regulá-lo. A regulação não é um ajuste periférico. É a entrada de 60 milhões de vidas em um perímetro regulatório que hoje só existe para 50 milhões.

A fragmentação estrutural do setor é o principal obstáculo à padronização. 95% das empresas que operam cartões de desconto têm menos de 10 mil clientes. Esse perfil pulverizado viabilizou o crescimento do mercado como o maior programa de acesso à saúde básica do Brasil, mas produziu um ecossistema sem escala para absorver obrigações regulatórias equivalentes às das operadoras. A regulação chegará. Parte dessas empresas não tem estrutura para cumpri-la. O mercado se consolidará.

Para operadoras, a regulação elimina uma assimetria competitiva que existe há anos: cartões de desconto oferecem acesso a serviços de saúde sem o custo regulatório que encarece o plano tradicional. A simetria regulatória que se aproxima tornará esses produtos mais caros ou mais restritos. O plano tradicional ficará relativamente mais competitivo, mas apenas para as operadoras que souberem precificar o novo equilíbrio.

Para prestadores, contratos com cartões de desconto passarão a exigir o mesmo nível de formalização dos contratos com operadoras, inclusive quanto à remuneração por procedimento. Prestadores que hoje operam nesses contratos sem protocolo de cobertura definido precisarão renegociar condições que até agora eram informais, em um mercado que passará a exigir o que o mercado tradicional já deveria exigir e raramente exige: o custo real por evento como base de contratação.

O mercado de cartões de desconto está prestes a se tornar o maior processo de formalização contratual da saúde suplementar brasileira. A pergunta não é se o mercado vai mudar. É quais operadoras e prestadores terão a inteligência de custo necessária para contratar nesse novo mercado antes que os outros cheguem.

Fonte dos dados de mercado: Evodux, base proprietária de inteligência do setor, 2025. Chamamento público: ANS, 02/06/2026.

Workshop Evodux

A maioria das decisões financeiras na saúde é tomada sem uma informação fundamental: o custo real por protocolo assistencial.

No próximo workshop da Evodux, vamos discutir como essa lacuna afeta a rentabilidade dos prestadores, a previsibilidade das operadoras e a sustentabilidade dos modelos de remuneração.

Serão 2h30 de conteúdo executivo com foco em protocolos precificados, padronização de insumos, jornadas de cuidado, custo assistencial e geração de valor, voltado para líderes que precisam transformar dados em decisões.

10 de junho • 20h • Online ao vivo via YouTube • Gratuito

Data Points da Semana

Indicadores estruturais monitorados pela Evodux

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