Artigo da semana

Sete em cada dez pacotes cirúrgicos no Brasil geram prejuízo ao prestador. O problema não é clínico, é estrutural.

O novo playbook da Evodux mostra que 70% dos pacotes cirúrgicos analisados geram resultado negativo para o prestador, em grande parte porque ainda são contratados com base em tabelas genéricas, sem custo real mapeado, protocolo padronizado ou provisão para variabilidade clínica.

O estudo “Pacotes Assistenciais como Unidade de Negócio” analisa como hospitais, clínicas e operadoras podem sair da lógica passiva de aceitar pacotes pouco sustentáveis e passar a estruturar jornadas assistenciais como produtos, com escopo claro, preço definido e margem protegida.

Ao mesmo tempo, o mercado de desembolso direto em saúde cresceu 23% no último ano e já representa uma oportunidade relevante para prestadores que conseguirem organizar ofertas mais previsíveis, auditáveis e competitivas para diferentes perfis de comprador.

O playbook também detalha os três movimentos estratégicos para transformar pacotes assistenciais em unidade de negócio: definir a jornada como produto, precificar com base no custo real e posicionar a oferta no mercado de desembolso direto.

👉 Leia a matéria completa e entenda como transformar pacotes assistenciais em uma fonte de margem, previsibilidade e vantagem competitiva.

A semana no mercado

Planos Coletivos Devem Subir Entre 8% e 11% Em 2026

A projeção de reajuste entre 8% e 11% para os planos de saúde coletivos em 2026 indica uma desaceleração em relação aos picos recentes, mas não muda a principal leitura do setor: a saúde suplementar segue pressionada por uma estrutura de custo que cresce acima da inflação e desafia a capacidade de pagamento de empresas e famílias.

O dado pode parecer um alívio. Não é.

É apenas um aumento menor sobre uma base que já ficou cara.

O Ponto Central

O reajuste dos planos coletivos não é o problema em si.
É o reflexo de um modelo que ainda opera com baixa previsibilidade, pouca coordenação assistencial e forte dependência do repasse anual de custos.

Enquanto o mercado discutir apenas o percentual de reajuste, continuará tratando consequência como causa.

A pergunta relevante não é apenas:

Quanto o plano vai subir?

A pergunta estratégica é:

Quanto desse aumento poderia ter sido evitado com melhor gestão da carteira ao longo do ano?

O Que Está Por Trás Do Movimento

A pressão sobre os planos coletivos vem de uma combinação conhecida:

Maior utilização dos serviços.
Envelhecimento das carteiras.
Judicialização.
Incorporação tecnológica.
Custo hospitalar elevado.
Desperdício assistencial.
Fragmentação da jornada do paciente.

Nenhum desses fatores é novo.
O que muda é a tolerância do mercado a continuar pagando a conta sem enxergar mudança estrutural.

Empresas contratantes já não conseguem tratar saúde apenas como benefício. Operadoras já não conseguem sustentar resultado apenas com reajuste. Prestadores já começam a enfrentar maior pressão por eficiência, previsibilidade e valor entregue.

O sistema inteiro está sendo empurrado para uma discussão que deveria ter começado antes: produtividade assistencial.

A Leitura De Mercado

O reajuste menor reduz a temperatura da discussão, mas não resolve a equação.

Para as empresas, a tendência é buscar produtos mais direcionados, maior coparticipação, revisão de rede e programas de gestão de saúde com retorno mensurável.

Para as operadoras, o desafio será demonstrar de forma mais clara quais custos são inevitáveis, quais são gerenciáveis e quais poderiam ser reduzidos com modelos assistenciais mais eficientes.

Para os beneficiários, o risco é que a busca por sustentabilidade venha acompanhada de mais restrição de acesso, quando o debate deveria ser sobre uso adequado, coordenação do cuidado e redução de desperdício.

Sustentabilidade não pode ser apenas transferir custo.
Isso tem outro nome, menos bonito.

O Que Observar

O mercado deve acompanhar três movimentos em 2026:

1. Maior pressão das empresas por transparência.
A negociação de reajuste tende a exigir mais abertura sobre sinistralidade, frequência, custo médio, eventos de alto custo e ofensores assistenciais.

2. Aceleração de redes direcionadas e produtos mais eficientes.
A discussão deixará de ser apenas tamanho de rede e passará a incluir resolutividade, custo previsível e melhor coordenação da jornada.

3. Crescimento da gestão ativa de carteira.
Empresas que acompanharem indicadores ao longo do ano terão mais capacidade de interferir na origem do custo. Quem olhar apenas na renovação continuará chegando atrasado — e atraso, em saúde, costuma vir com boleto.

Conclusão

A notícia da semana não é apenas que os planos coletivos devem subir entre 8% e 11%.

A notícia é que mesmo uma desaceleração ainda mantém o setor em um patamar desconfortável de pressão.

O próximo diferencial competitivo não será negociar melhor o reajuste.

Será reduzir a necessidade dele.

E isso exige sair da lógica de compra de plano e entrar, de fato, na gestão do custo assistencial.

Porque o reajuste aparece uma vez por ano.
Mas ele é construído todos os dias.

Data Points da Semana

Indicadores estruturais monitorados pela Evodux

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