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Um mercado de R$ 10 bilhões está crescendo por um motivo que nenhuma empresa consegue controlar: o envelhecimento da população. E isso pode mudar completamente a oftalmologia nos próximos anos.

A oftalmologia reúne três forças estruturais que operam na mesma direção: crescimento demográfico previsível, aumento contínuo da demanda assistencial e um modelo regulatório que preserva oportunidades de receita além da cobertura tradicional dos planos de saúde. Hoje, o setor movimenta entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões por ano, mas tudo indica que a próxima década poderá redefinir completamente sua dinâmica competitiva.
O principal motor dessa transformação é o envelhecimento populacional. Em 2023, os brasileiros com mais de 60 anos representavam 15,6% da população. Em 2070, serão 37,8% dos brasileiros, quase quatro em cada dez pessoas. Esse avanço amplia automaticamente a incidência de doenças como catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética, criando uma demanda crescente por consultas, exames e procedimentos especializados.
Mas a oportunidade não está apenas no aumento do número de pacientes. O estudo revela um cenário pouco discutido: a combinação entre demanda reprimida, limitações de cobertura dos planos de saúde e um mercado altamente fragmentado. Esse conjunto cria um ambiente favorável para expansão, consolidação e novos modelos de negócio. A pergunta que fica é: quais clínicas e grupos estarão preparados para capturar essa onda de crescimento antes que o mercado se reorganize?
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A semana no mercado

A entrada da semaglutida genérica no mercado brasileiro expõe a ausência de protocolos de gestão de crônicos nas operadoras
A Anvisa registrou o Ozivy em 26 de maio, primeira caneta com semaglutida sintética produzida no Brasil, fabricada pela EMS. Outros seis pedidos com a mesma molécula estão em análise. A patente expirou em março. A Lei 9.787/1999 obriga que genéricos custem no mínimo 35% menos que o medicamento de referência. Quando a liraglutida perdeu a patente em 2025 e a EMS lançou os similares, as vendas da classe cresceram 154,5% no primeiro mês. O medicamento original não recuou. O mercado expandiu. Com a semaglutida, a demanda represada é maior e a base elegível já está dentro da carteira.
Obesidade saltou de 12,5% para 21,9% entre os beneficiários entre 2008 e 2023. Diabetes subiu de 5,8% para 9,8% no mesmo período. Excesso de peso já atinge 60,9% da base. São as duas principais indicações clínicas da semaglutida, em 52,2 milhões de beneficiários. O Rol ANS não inclui medicamentos de uso domiciliar como cobertura obrigatória, mas a jurisprudência já determina fornecimento quando há prescrição médica para diabetes tipo 2. A queda de preço multiplica as prescrições. A pressão judicial acompanha na mesma proporção.
A semaglutida sem protocolo estruturado de acompanhamento não reduz sinistralidade. Reduz glicemia enquanto o paciente usa o medicamento. Sem controle glicêmico periódico, sem monitoramento de adesão e sem manejo de hábito, a complicação diabética, o evento cardiovascular e a internação por obesidade mórbida continuam ocorrendo. A operadora paga o medicamento crônico todo mês e paga o evento agudo quando ele acontece. Obesidade já responde por quase 10% das despesas assistenciais e pode atingir 46% dos beneficiários em 2030, consumindo mais da metade das despesas assistenciais totais. A semaglutida sem protocolo antecipa esse cenário.
A massificação do medicamento vai ocorrer independentemente da decisão das operadoras. O preço cai, a prescrição cresce e a jurisprudência já estabeleceu o caminho. A operadora que absorver esse custo sem programa estruturado de gestão de obesidade e diabetes vai deteriorar a sinistralidade nas duas condições de maior crescimento da carteira sem nenhuma contrapartida de redução de comorbidade. Intervenções preventivas estruturadas poderiam gerar economia de até R$45 bilhões anuais até 2035. A semaglutida é o medicamento que torna esse protocolo urgente. Não é a solução. É o prazo.
Workshop Evodux

A pergunta parece simples. Na prática, é a maior fragilidade operacional do setor.
No próximo workshop ao vivo da Evodux, o tema é custo assistencial real: como o desconhecimento do custo por protocolo compromete a margem de prestadores, distorce modelos de remuneração e ameaça a sustentabilidade das operadoras.
São 2h30 de conteúdo executivo cobrindo protocolos precificados, padronização de insumos, jornadas de cuidado, modelos de remuneração e lucratividade, com foco em decisão, não em teoria.
10 de junho • 20h • Online ao vivo via YouTube • Gratuito
Data Points da Semana
Indicadores estruturais monitorados pela Evodux


