
Introdução
O reset da saúde suplementar está em curso. E, desta vez, ele não nasce de uma tendência de mercado, mas de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça. Em janeiro de 2026, a primeira turma do STJ julgou e rejeitou o recurso apresentado por entidades hospitalares que buscavam afastar a aplicação da resolução cmed nº 02/2018, que estabelece a margem zero para a cobrança de medicamentos utilizados como insumo hospitalar.
O pleito era claro. Hospitais defendiam que a impossibilidade de aplicar margem sobre medicamentos comprometeria o equilíbrio econômico financeiro das instituições. O STJ foi objetivo ao negar o pedido. Reconheceu a competência da cmed, afirmou que hospital não exerce atividade comercial de medicamentos e consolidou que a cobrança deve se limitar ao custo real de aquisição, sem qualquer acréscimo.
A lógica que sustentou o faturamento hospitalar por décadas começa a ruir. Medicamentos deixam de ser fonte de margem e passam a ser, definitivamente, insumo reembolsável pelo custo real de aquisição.
Sem exceções.
Sem transição.
Sem espaço para criatividade contábil.
O impacto é sistêmico. Ele atravessa operadoras, hospitais, clínicas e, de forma especialmente sensível, a oncologia. Quando a margem sobre medicamentos desaparece, a pergunta deixa de ser jurídica e passa a ser econômica.
Como pagar pelos serviços de saúde a partir de agora?
Esse ponto de inflexão atinge em cheio o modelo dominante do setor. Hoje, aproximadamente 75% dos pagamentos realizados pelas operadoras aos prestadores ainda acontecem por meio de contas abertas, estruturadas no modelo fee for service, com remuneração fragmentada e fortemente apoiada no balcão da farmácia hospitalar e da oncologia.
É exatamente aí que o modelo entra em colapso. O fee for service chega ao seu ponto final regulatório porque dependia do que a decisão elimina. Margens fragmentadas, pulverizadas em itens altamente auditáveis, que funcionavam como compensação invisível de ineficiências estruturais. Com a margem zero, esse mecanismo simplesmente deixa de existir.
A saúde suplementar entra, assim, em uma nova fase. Uma fase em que:
• O pagamento por item perde sustentação econômica e jurídica.
• As operadoras passam a exigir custo real comprovado e previsibilidade assistencial.
• Pacotes, episódios de cuidado e linhas assistenciais deixam de ser tendência e passam a ser necessidade.
• Quem não conhece seus custos reais passa a operar no escuro.
E então surgem as perguntas que realmente importam para quem decide.
Quem está preparado para operar sem margem escondida?
Quem conhece o custo real dos seus tratamentos, do início ao fim?
Quem sabe transformar procedimento em pacote e atendimento isolado em linha de cuidado?
O reset não pergunta quem está pronto.
Ele simplesmente chega.
E separa rapidamente quem sabe redesenhar modelo de remuneração, estruturar pacotes e operar com governança de custos de quem ainda tenta sobreviver em um modelo que, agora oficialmente, entrou em obsolescência regulatória.

As OPS e o novo modelo de remuneração
Se para os prestadores o impacto da margem zero é imediato no faturamento, para as OPS o efeito é mais profundo, sistêmico e silencioso. A lógica de pagamento que organizou a saúde suplementar por décadas deixa de funcionar e obriga as OPS a enfrentar um desafio que sempre foi adiado: redesenhar o próprio modelo de remuneração.
Por anos, as OPS operaram com conforto dentro do modelo de contas abertas, fee for service e remuneração pulverizada. Esse formato transferia risco, reduzia previsibilidade e sustentava uma gestão baseada muito mais em auditoria e glosa do que em desenho assistencial. Com a decisão do STJ e a consolidação da margem zero, essa lógica começa a ruir por dentro.
A dificuldade é real e estrutural.
Desenvolver pacotes assistenciais e modelos de remuneração por linha de cuidado exige algo que historicamente não foi prioridade dentro das OPS: conhecimento profundo de custo, jornada clínica e variabilidade assistencial.
Vivemos no ATACAREJO da saúde, com o pagamento por item.
Aqui surgem as perguntas que pressionam o sistema.
Como construir pacotes assistenciais sem conhecer o custo real dos tratamentos?
Como remunerar por linha de cuidado quando o contrato ainda está preso ao item?
Como garantir previsibilidade financeira sem redesenhar o modelo assistencial?
Hoje, o impacto sistêmico dentro das OPS é evidente.
• A maioria dos contratos ainda está estruturada para pagamento por procedimento, não por episódio.
• As OPS não dominam o custo real dos eventos assistenciais que remuneram.
• Faltam dados clínicos e financeiros integrados para sustentar pacotes e bundles.
• Modelos de linha de cuidado exigem coordenação clínica que o fee for service nunca incentivou.
A lógica mudou. Se o medicamento deixa de ser eixo de remuneração, o pagamento precisa migrar para o cuidado como um todo.
Isso exige que as OPS deixem de atuar apenas como pagadoras de conta e passem a assumir um papel ativo na arquitetura do modelo assistencial.
Esse movimento gera impactos internos profundos.
• A auditoria perde protagonismo isolado e precisa se integrar à estratégia assistencial.
• As áreas atuariais passam a lidar com risco clínico, não apenas com frequência e ticket médio.
• Compras e contratos deixam de negociar tabela e passam a negociar modelo de cuidado.
• A previsibilidade financeira passa a depender da qualidade do desenho assistencial.
E a pergunta final, que nenhuma OPS pode mais evitar.
Quem está preparado para pagar diferente quando o modelo antigo deixa de existir?
As OPS precisam mudar. Não por escolha estratégica, mas por sobrevivência regulatória e financeira. Quem não consegue sair da lógica da conta aberta começa a operar em um ambiente de risco crescente, judicialização e perda de controle de custos.
O novo modelo não será construído aos poucos.
Ele será imposto pela realidade.
E ele vai separar rapidamente as OPS que sabem redesenhar remuneração, estruturar pacotes e operar com governança de custos daquelas que ainda tentam sustentar um modelo que, oficialmente, entrou em obsolescência.

O impacto devastador para os hospitais
Para os hospitais, a decisão do STJ não representa um ajuste fino. Ela desmonta o principal pilar econômico do modelo atual. Hoje, cerca de 65% do faturamento das contas hospitalares está direta ou indiretamente associado à comercialização de medicamentos dentro das internações e procedimentos.
Durante anos, a farmácia hospitalar deixou de ser apenas suporte assistencial e passou a sustentar a viabilidade financeira das instituições.
O medicamento virou margem.
Virou compensação.
Virou modelo de negócio.
Com a margem zero, esse pilar simplesmente desaparece.
A lógica que sustentou o faturamento hospitalar por décadas começa a ruir. Medicamentos deixam de ser fonte de margem e passam a ser, definitivamente, insumo reembolsável pelo custo real de aquisição.
Sem exceções.
Sem transição.
Sem espaço para criatividade contábil.
O impacto é direto, profundo e imediato.
• Uma parcela relevante da receita hospitalar deixa de existir da noite para o dia.
• O caixa sente rapidamente a perda de sustentação financeira.
• Estruturas operacionais passam a operar sem base econômica clara.
• Contratos historicamente equilibrados pela conta aberta entram em colapso.
E então surge a pergunta que passa a dominar as discussões internas.
O que fica no lugar dessa receita?
Sem a margem sobre medicamentos, a viabilidade hospitalar passa a depender de algo que a maioria das instituições nunca estruturou com rigor: remuneração por cuidado e não por item. O problema é que esse modelo exige pré-condições que simplesmente não existem em grande parte dos hospitais.
Aqui está o verdadeiro abismo operacional.
Como remunerar pacotes assistenciais sem protocolos clínicos e financeiros precificados?
Como negociar valores globais sem conhecer o custo real das internações e procedimentos?
Como assumir risco assistencial sem custeio por episódio de cuidado?
Sem protocolos precificados, pacotes assistenciais se tornam inviáveis. Não por falta de interesse, mas por ausência de base técnica. Sem domínio de custos, o risco deixa de ser gerenciável e passa a ser aleatório.
O efeito estrutural se impõe rapidamente.
• Tentativas de compensação via diárias, taxas e materiais elevam o nível de conflito com as OPS.
• Crescem glosas, renegociações contratuais e judicialização.
• A margem operacional migra do invisível para o inexistente.
• Hospitais financeiramente frágeis entram em zona crítica de sustentabilidade.
A decisão do STJ não inviabiliza hospitais.
Ela inviabiliza modelos hospitalares que nunca transformaram assistência em estrutura econômica.
O que fica no lugar da margem sobre medicamentos é eficiência real, governança de custos, protocolos estruturados e capacidade de negociar cuidado como produto.
A pergunta final deixa pouco espaço para ilusão.
Quem consegue atravessar esse novo cenário sem saber exatamente quanto custa aquilo que entrega?
Porque, a partir de agora, a conta não fecha mais sozinha.

O abismo no modelo de negócio da oncologia
Se para os hospitais a margem zero desmonta um pilar relevante, para a oncologia ela atinge o próprio núcleo do modelo de negócio. Diferente de outras linhas assistenciais, a oncologia ambulatorial foi estruturada, ao longo dos anos, como um sistema de compra e venda de medicamentos de alto custo, com a assistência orbitando em torno da droga.
Hoje, cerca de 95% do faturamento das clínicas oncológicas está diretamente associado à comercialização de medicamentos oncológicos.
Consulta, infusão, equipe, estrutura física e acompanhamento clínico sempre funcionaram como elementos acessórios de um modelo cujo centro econômico era o balcão da farmácia oncológica.
Esse modelo agora entra em colapso.
Com a margem zero, o medicamento deixa de ser fonte de receita e passa a ser, de forma definitiva, um insumo reembolsável pelo custo real de aquisição. Isso não representa uma perda marginal.
Representa a remoção quase total da base de faturamento das clínicas oncológicas como elas foram concebidas até aqui.
O impacto é brutal e imediato.
• A principal fonte de receita deixa de existir.
• A estrutura assistencial perde seu eixo de sustentação financeira.
• O modelo de compra, estocagem e infusão de drogas perde sentido econômico.
• A previsibilidade de caixa desaparece.
E então surge a pergunta que ninguém mais consegue evitar.
Como sustentar um serviço oncológico quando o medicamento deixa de ser produto e passa a ser apenas custo?
O problema é que a oncologia nunca foi precificada como cuidado. Ela foi precificada como mercadoria. Protocolos clínicos foram tratados como listas de drogas, não como jornadas assistenciais.
O resultado é um setor altamente dependente de margem farmacêutica e profundamente despreparado para operar em um ambiente de remuneração por valor.
Aqui está o ponto crítico.
Sem protocolos clínicos e financeiros precificados, não existe oncologia sustentável sem margem sobre medicamentos.
Pacotes assistenciais exigem domínio absoluto do custo do tratamento completo. Linhas de cuidado exigem previsibilidade clínica, controle de variabilidade e gestão ativa de risco. Nada disso foi prioridade em um modelo desenhado para faturar droga, não para remunerar cuidado.
A margem zero escancara essa fragilidade.
• Clínicas não sabem quanto custa tratar um paciente do início ao fim.
• Não existe precificação consolidada por protocolo oncológico.
• O risco assistencial nunca foi assumido, apenas repassado.
• O modelo não foi desenhado para sobreviver sem spread farmacêutico.
Talvez nenhum segmento da saúde suplementar seja tão impactado pela margem zero quanto a oncologia. Porque aqui não se trata de ajuste de margem. Trata-se de reinvenção completa do modelo de negócio.
A decisão do STJ não encerra apenas uma discussão regulatória. Ela encerra um ciclo econômico. O que vem depois não será uma adaptação incremental, mas uma mudança estrutural profunda.
A pergunta final é inevitável.
Quem conseguirá transformar oncologia de balcão em oncologia de cuidado antes que o modelo atual se torne financeiramente inviável?
Porque, neste segmento, a margem zero não é um detalhe regulatório. É uma linha divisória entre o passado e o futuro.

Por que a Evodux é a solução neste momento?
A margem zero não inaugura um debate. Ela encerra o tempo. O setor não está diante de uma escolha estratégica, mas de uma urgência operacional. Hospitais, clínicas de oncologia e OPS precisam redesenhar seus modelos de remuneração agora, não quando o impacto já estiver totalmente refletido no caixa.
É exatamente nesse ponto que a Evodux se posiciona.
Não como consultoria conceitual, não como estudo teórico, mas como infraestrutura estratégica para o novo modelo de saúde suplementar.
A Evodux nasce a partir de uma premissa simples e incômoda.
Sem custo conhecido, não existe pacote assistencial viável. Sem pacote, não existe novo modelo de remuneração.
O que a Evodux faz, na prática, é transformar assistência em produto econômico sustentável.
Protocolos clínicos precificados
A Evodux estrutura protocolos assistenciais com base clínica e financeira integrada. Cada protocolo passa a ter custo total conhecido, variabilidade controlada e margem explícita.
Isso permite que hospitais e clínicas deixem de negociar itens e passem a negociar cuidado.
Criação de pacotes assistenciais e episódios de cuidado
A partir dos protocolos, a Evodux constrói pacotes assistenciais completos.
Não se trata de agrupar itens, mas de desenhar o episódio de cuidado do início ao fim, com previsibilidade clínica, financeira e contratual. É assim que o fee for service deixa de ser o eixo do negócio.
Mudança real do modelo de remuneração
A Evodux viabiliza a transição do pagamento por item para o pagamento por valor. Pacotes, bundles, modelos híbridos e linhas de cuidado passam a ser remuneráveis porque têm base técnica sólida. O risco deixa de ser invisível e passa a ser gerenciado.
O impacto é direto para cada elo da cadeia.
• Hospitais recuperam viabilidade econômica sem depender de margem escondida em medicamentos.
• Clínicas de oncologia deixam de ser balcões de droga e passam a operar como estruturas de cuidado sustentável.
• OPS ganham previsibilidade de custo, redução de glosas e modelos contratuais defensáveis.
A Evodux atua onde o sistema trava.
• Onde não há custo estruturado.
• Onde não existem protocolos precificados.
• Onde o modelo antigo morreu e o novo ainda não nasceu.
E aqui está o ponto central. Não temos mais tempo.
A margem zero já está posta. O fee for service já entrou em obsolescência regulatória. O mercado não vai esperar a adaptação gradual de quem ainda discute o problema.
A Evodux não promete futuro. Ela entrega transição. Agora.
Porque, neste novo cenário, sobreviverão apenas aqueles que conseguem transformar cuidado em modelo econômico. E isso não se improvisa.
Até o próximo domingo,

Inteligência, estratégia e resultados na saúde.
