Um oceano azul ainda pouco explorado na saúde.

O setor de saúde vive um momento curioso. Enquanto os prestadores lutam para manter margens, previsibilidade e fluxo de caixa, o tabuleiro muda silenciosamente.

Hoje, as operadoras não são apenas compradoras de serviços. Elas disputam espaço, paciente e receita.

Os sinais são claros demais para serem ignorados

  • As operadoras abriram clínicas próprias

  • Criaram centros de diagnóstico internos

  • Estão verticalizando a assistência

  • Consolidam redes e reduzem o espaço do prestador independente

  • Definem preços, prazos e regras que o prestador não controla

No meio disso, o prestador vive a rotina já conhecida

  • Margens comprimidas

  • Glosas sem lógica aparente

  • Atrasos de repasse que viram rotina

  • Inflação assistencial que corrói qualquer previsibilidade

  • Dependência de um modelo que promete estabilidade, mas entrega risco

E é justamente nesse cenário que surge a parte mais interessante.
Existe um mercado que cresce rápido e quase sempre passa despercebido.
O pay per use.

As evidências aparecem no dia a dia

  • A paciente que paga no Pix

  • A consulta que gera caixa imediato

  • A consulta que gira caixa imediato

  • O check-up que não depende de autorização

  • O procedimento que não sofre glosa

  • A jornada construída pelo que o paciente precisa e não pelo que a operadora libera

O mais curioso é ver como esse mercado já movimenta bilhões, mas ainda é tratado como exceção. Quando, na verdade, ele é a saída mais lógica para recuperar autonomia e sustentabilidade em um setor que está cada vez menos interessado em proteger quem entrega o cuidado.

Na newsletter dessa semana vou te mostrar exatamente isso

  • Como a autonomia nasce quando o prestador deixa de depender exclusivamente das operadoras

  • Como o pay per use se tornou inevitável

  • Por que esse movimento é a única rota real para previsibilidade e margem nos próximos anos

O jogo mudou.
O mercado pay per use é a saída que poucos conhecem, mas que muitos vão ser obrigados a aprender rápido.

O panorama da saúde brasileira revela um cenário financeiro que pressiona prestadores de todos os portes. A base de clientes das operadoras é menor do que parece e o aumento dos custos supera qualquer reajuste repassado ao prestador.

Os dados mostram a realidade com clareza

  • Apenas cerca de 25% da população possui plano de saúde médico-hospitalar segundo a ANS

  • Isso significa que aproximadamente 75% dos brasileiros dependem do SUS ou da saúde particular paga do próprio bolso

  • O brasil tem cerca de 52,8 milhões de beneficiários em um universo de mais de 203 milhões de habitantes

  • A inflação assistencial cresce entre 15% e 20% ao ano em diversos segmentos enquanto muitos prestadores recebem reajustes entre 5% e 8%

  • O custo de insumos e materiais hospitalares acumulou aumentos superiores a 30% nos últimos anos

  • A inadimplência e o atraso dos repasses somam bilhões de reais em passivos reconhecidos

  • As margens líquidas de clínicas e hospitais caíram entre 15% e 40% nos últimos cinco anos

A partir desses números, fica evidente que a saúde suplementar deixou de entregar previsibilidade financeira. O prestador trabalha cada vez mais para receber cada vez menos.

Cenário 2025 do mercado particular brasileiro

O Brasil possui mais de 150 milhões de pessoas sem plano de saúde. Se apenas 10% desse público utilizar serviços particulares ao longo do ano com ticket médio de R$ 250,00, o mercado gerado ultrapassa R$ 37 bilhões ao ano.

O potencial cresce ainda mais quando se observa o comportamento real

  • Check-ups particulares apresentam tickets entre R$ 500,00 e R$ 1.200,00

  • Jornadas femininas e cardiometabólicas variam entre R$ 1.000,00 e R$ 2.500,00

  • Procedimentos ambulatoriais no pay per use oscilam entre R$ 300,00 e R$ 3.000,00 com margens superiores às dos convênios

  • Pacotes cirúrgicos low cost podem ultrapassar R$ 5.000,00 mantendo previsibilidade e caixa imediato

Somando consultas, diagnósticos, jornadas de cuidado e procedimentos, o mercado pay per use já se aproxima de R$ 380 bilhões ao ano no brasil.

O contraste é evidente.
Enquanto o modelo de convênios aperta margens, reduz repasses e aumenta exigências, o paciente particular busca agilidade, clareza de preço e autonomia. O prestador que permanece preso às operadoras perde competitividade em um mercado que cresce fora do radar da saúde suplementar.

O pay per use não se torna relevante por moda.

Ele cresce porque traduz o que o paciente procura e o que o prestador precisa para sobreviver.

Quando depender de operadoras virou fragilidade estratégica

A saúde suplementar no Brasil já perdeu o glamour de antigamente. Hoje o prestador que depende exclusivamente de operadoras convive com incerteza financeira, competição predatória e um risco crescente de ser engolido por um sistema que prioriza volume sobre valor.

A realidade do setor expõe a fragilidade com números recentes

  • Apenas cerca de 25 % da população brasileira é beneficiária de plano médico-hospitalar segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS.

  • Isso significa que cerca de 75 % da população depende do sistema público ou de pagamentos particulares diretos, criando um enorme segmento fora da saúde suplementar estrutural.

  • O setor registrou aproximadamente 52,8 milhões de beneficiários de planos médicos em 2025.

  • Apesar disso, o custo de insumos, materiais, profissionais e infraestrutura cresce facilmente acima de 15 % ao ano, corroendo qualquer reajuste razoável que os prestadores consigam negociar.

  • Ao mesmo tempo, a pressão por glosas, auditorias, exigências de autorização e atrasos nos repasses transforma o fluxo de caixa em um exercício de risco constante

O problema não está em atender bem. Está em aceitar as regras de um jogo onde o prestador nunca tem a mão no controle.

Quem depende exclusivamente de convênios perde poder de decisão sobre preço, volume, prazo e qualidade de atendimento.

O risco estratégico se dá em três frentes principais

  • O prestador não define preço

  • O prestador não controla o volume de atendimentos

  • O prestador não domina o prazo e a garantia de recebimento

Essa combinação é tóxica para quem busca sustentabilidade. Produzir volume alto não garante lucro. Trabalhar com custos em alta não garante margem. E depender de repasses para sobreviver não garante longevidade.

Enquanto isso, as operadoras fortalecem seu ecossistema. Começam a verticalizar a oferta de serviços, internalizar exames, abrir clínicas próprias e competir diretamente com quem antes era parceiro.

Quem permanece à margem dessa transformação corre o risco de perder relevância, mercado e o principal recurso de um negócio de saúde: controle sobre o próprio destino.

Por isso, o pay per use não é apenas alternativa.

É escapatória estratégica.

Ele devolve ao prestador o controle sobre preço, demanda e caixa, os três pilares de qualquer negócio que pretende sobreviver e crescer no médio e longo prazo.

A entrada do pay per use na saúde: de tendência a necessidade econômica

O pay per use deixou de ser curiosidade e passou a ser rota de sobrevivência para prestadores que já entenderam que depender das operadoras não fecha mais a conta.

O crescimento desse modelo não é impulsionado por moda, mas por um conjunto de forças econômicas que tornam a migração inevitável.

A mudança começa com uma percepção simples. Quando o paciente paga diretamente pela sua jornada de cuidado, a lógica financeira se transforma.

O prestador volta a ter controle sobre preço, prazo e qualidade do serviço.

O fluxo de caixa respira. A previsibilidade melhora.

A margem se torna real e não uma promessa futura condicionada a repasses, auditorias e autorizações intermináveis.

O pay per use cresce por atender dois movimentos complementares

  • O paciente quer agilidade, transparência e previsibilidade

  • O prestador precisa autonomia, margem e controle

Esse encontro cria um ambiente onde a relação deixa de passar por intermediários e assume a forma mais primitiva e eficiente de qualquer mercado. Um serviço prestado. Um pagamento direto. Um valor claro.

O avanço do pay per use também é impulsionado pela frustração crescente do consumidor com o modelo tradicional. A demora para autorizar, a dificuldade para marcar exames e a sensação de burocracia infinita contribuem para que cada vez mais pessoas escolham pagar particular para resolver a demanda rapidamente.

Os prestadores que já adotaram o modelo percebem três ganhos imediatos

  • Aumento de receita própria sem depender da operação das operadoras

  • Melhoria do fluxo de caixa com pagamentos instantâneos

  • Expansão da base de pacientes que preferem pagar para não enfrentar burocracia

A entrada no pay per use também ocorre porque muitos prestadores descobriram uma verdade incômoda. A saúde suplementar não vai voltar ao patamar que já teve.

Nem em volume.

Nem em previsibilidade.

Nem em margem.

O movimento irreversível das operadoras rumo à verticalização limita ainda mais o espaço de quem não adapta seu modelo.

Por isso, o pay per use não é uma tendência que o prestador pode escolher acompanhar. É uma necessidade financeira e estratégica. É o caminho para reequilibrar as contas e recuperar o controle do próprio negócio.

Quem entra agora constrói posição.

O pay per use não acontece porque o setor quer inovar.

Ele acontece porque o modelo tradicional deixou de funcionar. E, sempre que um sistema deixa de entregar valor, o mercado naturalmente busca alternativas mais eficientes.

O prestador que compreende isso primeiro lidera a mudança.

As cinco ações de quem cresce no pay per use e os cases que provam isso na prática

O crescimento no pay per use não acontece por sorte ou improviso. Ele é resultado direto de decisões estratégicas e de uma visão clara sobre como transformar cuidado em produto, produto em valor e valor em receita previsível.

As clínicas, centros de diagnóstico e redes que realmente crescem no particular seguem cinco movimentos consistentes

  • Estruturam produtos com base em protocolos claros

  • Precificam a partir do custo real e não da intuição

  • Criam jornadas completas e não apenas serviços soltos

  • Constroem experiências ágeis e digitalizadas

  • Investem em canais próprios e reduzem dependências externas

Esses movimentos garantem que a operação cresça com margem, previsibilidade e recorrência. O pay per use premia quem trabalha com método e pune quem improvisa.

A seguir, dois cases da Evodux que ilustram exatamente como essa estratégia se traduz em resultados concretos no mercado.

Case Evodux 1

Jornadas de diagnóstico que aumentam conversão e elevam ticket médio

Uma rede de diagnóstico enfrentava queda de margem, alta dependência das operadoras e perda constante de pacientes para concorrentes verticalizados. Ao entrar no modelo pay per use, o desafio era criar produtos estruturados e aumentar a taxa de conversão do particular.

A Evodux desenhou jornadas completas para check-up feminino e cardiometabólico, com protocolos padronizados, fluxo de atendimento otimizado, preço baseado no custo real e narrativa clara para o paciente.

O resultado foi imediato

  • Aumento expressivo da conversão no particular

  • Aumento do ticket médio entre R$ 500,00 e R$ 1.200,00 por paciente

  • Redução de ociosidade em horários-chave

  • Maior previsibilidade de receita mês a mês

Esse case mostrou que o particular não compra serviços avulsos. Ele compra clareza, rapidez, conveniência e um caminho definido.

Case Evodux 2

Cartão de benefícios por assinatura com receita recorrente e margem otimizada

Uma clínica especializada buscava reduzir sua dependência das operadoras e estabilizar o fluxo de caixa. A solução da Evodux foi criar um cartão de benefícios por assinatura com foco em prevenção, acesso e jornadas de cuidado.

Foram definidos níveis de assinatura, protocolos associados, rede de serviços, preço baseado no custo real e plano de expansão com foco em ativação de base.

O modelo entregou resultados sólidos

  • Criação de receita recorrente mensal com previsibilidade

  • Aumento no uso de serviços particulares dentro da própria unidade

  • Maior fidelização e recompra dos clientes ativos

  • Ticket mensal por assinatura variando entre R$ 49,00 e R$ 149,00 conforme perfil do cliente

Esse case comprovou que, quando bem estruturado, o pay per use por assinatura transforma o prestador em protagonista do relacionamento com o paciente e reduz drasticamente a vulnerabilidade do fluxo financeiro.

O aprendizado central é simples.

Quem cresce no pay per use entende que esse mercado não é improviso.

Ele é estratégia, método, produto e experiência.

E quando esses elementos se alinham, os resultados chegam com consistência e escala.

Como o paciente decide no particular e por que isso muda tudo?

O paciente particular não se comporta como o beneficiário de um convênio. Ele não aceita filas, burocracia, autorizações ou prazos indefinidos.

Ele decide com base em tempo, clareza e confiança.

E essa lógica redefine completamente a forma como os prestadores precisam estruturar seus serviços.

As escolhas do paciente particular seguem uma lógica simples

  • Ele quer saber o preço antes de agendar

  • Ele quer resolver tudo no menor tempo possível

  • Ele quer uma jornada clara, transparente e objetiva

  • Ele prefere atendimento digital, confirmação rápida e canais diretos

  • Ele valoriza conveniência muito acima da tradição

  • Ele não aceita processos internos que demorem mais do que o necessário

  • Ele paga quando entende o valor e não quando recebe uma lista de procedimentos

No particular, o paciente não compra um exame. Ele compra a solução para um problema. Ele compra não perder tempo. Ele compra uma experiência que faz sentido.

E essa dinâmica favorece prestadores que oferecem jornadas estruturadas e precificadas com clareza.

O modelo tradicional acostumou o setor a acreditar que o paciente sempre volta. No pay per use isso não é verdade.

O paciente volta apenas quando a experiência supera a expectativa. Ele recomenda apenas quando a jornada é simples.

Ele paga quando percebe que está comprando valor e não burocracia.

Esse comportamento explica por que o pay per use cresce com tanta força. Ele se alinha diretamente ao que o paciente quer.

Ele elimina as barreiras que hoje afastam milhões de pessoas do cuidado.

Ele reduz a complexidade e devolve a lógica de mercado para um setor que se perdeu no excesso de intermediação.

E, no final, a pergunta inevitável aparece.


Se o paciente está mudando a forma de decidir, por que tantos prestadores continuam operando como se nada tivesse mudado?


Se o mercado particular cresce, por que continuar preso apenas ao modelo das operadoras?


Se existe demanda, margem e previsibilidade no pay per use, por que não disputar esse espaço?

A reflexão é clara

  • O comportamento do paciente já mudou

  • O posicionamento do mercado já mudou

  • A saúde suplementar já não entrega segurança

  • O pay per use já movimenta bilhões

  • O prestador que entra agora constrói vantagem competitiva real

A news termina aqui com uma única provocação.


Se o modelo tradicional comprime margens, reduz autonomia e aumenta riscos, e se o pay per use oferece clareza, controle e crescimento, a pergunta que resta não é se o mercado vai mudar.

A pergunta é se você vai entrar antes que ele mude sem você.

Está cada vez mais evidente que a saída está diante dos olhos.


A questão é ter coragem de atravessar a porta da capacidade de transformar custo em estratégia e dado em poder de negociação.

Até o próximo domingo,

Inteligência, estratégia e resultados na saúde.

Referencias bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Relatório de acompanhamento dos beneficiários de planos de saúde. Brasília, 2024.
Relatório técnico oficial com estatísticas de cobertura, variações de carteiras e indicadores regulatórios.

AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Mapa assistencial da saúde suplementar. Brasília, 2023.
Documento técnico com análise de uso de serviços, custos assistenciais, sinistros e padrões de atendimento.

INSTITUTO DE ESTUDOS DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Anuário da inflação médica e variação de custos assistenciais. São Paulo, 2023.
Estudo técnico anual com índices de inflação médica, custos por categoria e impacto econômico.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde. Rio de Janeiro, 2023.
Pesquisa estatística nacional com dados de acesso à saúde, comportamento populacional e cobertura.

FEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Relatório de desempenho econômico-financeiro da saúde suplementar. Rio de Janeiro, 2024.
Documento institucional com análises de receitas, despesas assistenciais, sinistralidade e tendências financeiras.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REDES DE CLÍNICAS POPULARES. Relatório anual do mercado de clínicas de acesso direto. São Paulo, 2024.
Estudo setorial sobre o crescimento do acesso direto, consultas particulares e expansão do pay per use.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Estudo sobre judicialização em saúde e impacto econômico-assistencial. Brasília, 2022.
Artigo técnico sobre o aumento da judicialização e seus efeitos nas despesas assistenciais.

KPMG BRASIL. Relatório de tendências do setor de saúde e processo de verticalização. São Paulo, 2024.
Análise corporativa sobre consolidação, fusões, aquisições e verticalização no mercado brasileiro.

MCKINSEY & COMPANY. Global consumer health insights report. Nova York, 2023.
Estudo internacional sobre comportamento do paciente, modelos direct care e tendências globais de consumo de saúde.

EVODUX. Relatório interno de modelagem pay per use e jornadas de cuidado. Rio de Janeiro, 2025.
Documento técnico interno utilizado em análises de precificação, protocolos, jornadas e cases apresentados na news.

Keep Reading